quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

desde antanhos

se estamos caminhando sem rumo, sem propósito que não seja o de apenas caminhar, podemos ir para qualquer lado quando deparamos com uma encruzilhada... podemos até retornar... muitas vezes fazemos alguma coisa que só mais tarde temos a certeza de que não deveríamos ter feito... ou vice-versa... mas, para tudo o quanto fazemos não há retorno... coisa feita, feita está... às vezes levaremos muito tempo para perceber que o que fizemos foi absolutamente fantástico... parecem triviais ao fazermos, coisas do dia-a-dia, mas que lá adiante (anos, algumas vezes décadas depois) constataremos como uma coisa essencial na própria vida... e então nos quedamos repletos de alegria por ver que a vida se repete e se repete e se repete infinitamente... e que continuaremos, naqueles que nos sucedem, como acontece desde antanhos...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

reserva natural

fiz uma pequena viagem, semana passada, do meio do mato para... outro meio do mato, aonde ainda estou e ficarei por uns dias... trajeto curto, de 235 quilômetros, que tem uma reserva natural protegida em uma parte do percurso... lugar absolutamente lindo, quase selvagem, chão batido por 24 quilômetros e um rio de águas translúcidas, cipós... absolutamente diferente do dia-a-dia de quase todos... e logo que se passa por esta reserva tem-se o desprazer de percorrer 10 quilômetros de 'asfalto' no qual a única coisa que praticamente não tem é asfalto... são buracos e buracos e buracos... e eu estava ouvindo ao rádio, naquele momento, propaganda do governo estadual cantando loas à recuperação das estradas... ri bastante... mas o importante foi a reserva natural, realmente protegida (ou pelo menos respeitada), que estará na memória... tenho estado no meio do mato nos últimos 8 meses e, ali, eu estava realmente no meio do mato, sem sinal algum de civilização...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

pica-fumo

tuparehe foi o nome que eu dei a um cavalo que eu tive, há muito tempo... era um malacara, tostado requeimado, bom de patas uma barbaridade... muita carne comi pelas patas do meu tostado, em festanças sem fim que reuniam os que gostavam de cavalos... tuparehe fazia com que quase todos que o montavam 'plantassem figueira', mas comigo nunca aconteceu... e por um pequeno detalhe... quando eu fui montá-lo por vez primeira, dei-lhe um joelhaço no vazio (mas isto já é outra história)... no meu tostado, bem pilchado, em longas cavalgadas, sempre me senti senhor da pampa vasta... tudo isto ficou na lembrança... agora aqui, aonde estou, há muitos cavalos... só que todos 'pica-fumo'... e o povoeiro daqui anda sem pelego, direto na sela americana (sequer conhecem o basto 'castiano'), sem relho, mango ou pequena tala... usam uma vara... olho, olho e não entendo como podem ser tão diferentes os costumes... mas quanto mais vejo mais me orgulho do tostado que tive...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

séculos

ah, se eu soubesse que este turbilhão de séculos e séculos dentro em meu peito seria desta maneira, talvez não tivesse feito um pequeno gesto que fiz ano passado... um simples gesto que me remeteu para onde estou agora... solidão machuca... eu já tinha ouvido isto mas não tinha sentido... e machuca muito... as amizades ficaram na pampa larga, na farta pampa das minhas memórias... minha luz também ficou, e esta é a parte mais doída desta distância toda... sei que tudo isto é absolutamente necessário por uma situação ímpar que foi criada, mas estou mermando aos poucos... estou mermando aos poucos... equilíbrio, tenho que encontrá-lo... razão, tenho que mantê-la...