sábado, 30 de janeiro de 2010
jornada
caminhei por entre meus pensamentos mais antigos e fui encontrando tanta coisa guardada que eu não lembrava mais... caminhei por entre minhas projeções para o depois de hoje, para todas as coisas que busco fazer acontecer e vejo que tudo é possível... ao menos no pensamento... pode-se, inclusive, alterar o que se fez ou o que não se fez no passado e contemplar um quadro completamente diferente da realidade... pensar nos mantém vivos... e lembrar nos prende e nos liberta ao mesmo tempo... tantas vezes me encontro ao largo da trilha que gostaria de estar traçando, pés no chão, cheiro dos meus junto a mim que chego a fraquejar... há percalços, há tanto o que transpor que não posso me deixar cair... preciso manter a lucidez nesta jornada fatigante... para voltar à luz, para voltar a quem me faz acreditar no mais profundo dos sentimentos...
sábado, 23 de janeiro de 2010
fórmula...
quando o final de semana chega é tempo de absoluto descanso, como já comentei... dia desses descobri outro pássaro que jamais havia visto... ele é um pouco menor do que um pardal (em todos os sentidos), é preto com pequenas manchas brancas, e tem uma peculiaridade incrível... ele fica empoleirado em um fio ou galho e fica dando saltos pra cima e voltando para o mesmo lugar a cada 7 ou 8 segundos, mais ou menos... ao pular emite um pequeno trinado... pensei que estivesse caçando insetos e fiquei observando... nada, apenas pula e volta... e pula e volta... bueno, mas não era disto que eu queria falar... queria apenas saber como alguém que está a 292 léguas de distância de sua querência faz para acalmar o turbilhão de saudades que teima em galopar dentro ao peito... a fórmula, alguém sabe a fórmula?
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
saudade... de mim
pés descalços... bergamota no pé... o bodoque no bolso da 'calça curta'... o 'borboquê'... o jogo de bolita (jogo de boco)... o carrinho de rolimã... o futebol no meio da rua... a alegria permanente de quem não tinha preocupação além de curtir as férias duas vezes por ano... os amigos, os parentes, as brincadeiras constantes... andar de bicicleta pela cidade... tirar ventil de pneu... apertar campainha e correr... sentar à soleira da porta e ver aquele esbranquiçado intenso da via láctea... esperar os meteoritos caírem para tentar fazer um pedido... ah, intensos e idos anos, por que já estais tão longe? o que faço eu agora que tudo isto faz com que eu não me reconheça mais? aonde a imensidão da pampa? aonde a paz das planuras? saudade... saudade intensa de mim...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
experiência
desde que cheguei aqui aonde estou (no meio do mato) ontem aconteceu uma coisa por vez primeira... não tenho rádio, os livros que eu trouxe eu já os li e reli e, desde ontem, estou sem televisão, este pequeno aparelho que tanto nos prende em frente a ele... pois bem, à noite, pensei como resolver o hiato entre chegar em casa e a hora em que eu comumente deito... poderia ter aberto um bom vinho (se aqui houvesse) e ido olhar as estrelas... fui olhar as estrelas neste lugar quase sem luz e fiquei absorto por muito, muito tempo... silêncio quase absoluto e uma leve impressão de ouvir o som do universo em profusão... 'ouvir estrelas, ora direis?'... pois foi a sensação que tive no tempo todo em que fiquei vidrado, cabeça olhando para a via láctea, para as plêiades, para a ursa (menor ou maior, qual seria?), para alfa de centauro... e uma certeza: foi muito bom ter ficado sem tv...
sábado, 9 de janeiro de 2010
lonjuras
tramelas abertas o tempo inteiro para que todos se aproximem... este é o meu rancho, minha morada que está tapera, este é meu coração, meu pensamento... planuras, montanhas, curvas e rios... devagar, devagar eu sigo pra que não se despegue de mim teu cheiro, teu hálito que eu trouxe desde longe, teu sorriso franco de dentes tantos... o mormaço castiga, o suor aflora, a vista embaça... meus pés estão macios de caminhar-te tanto... e ainda me prendem aqui estas incontáveis lonjuras... mas meu coração e meu pensamento permanecem contigo... para isto não existem lonjuras...
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
fio divisor
o pensamento é impressionante... pode nos fazer voar para qualquer lugar em uma fração de segundo... nos leva a tudo o que passou e nos leva ao que ainda não aconteceu... pensamos praticamente o tempo inteiro, pensamos o próprio tempo, pensamos no que passou e não podemos mudar e pensamos sobre o que queremos que aconteça... e tentamos, e tentamos... quando estamos em desafinação com o universo que nos cerca (energia que somos) a coisa se torna áspera, algumas vezes quase insustentável... direita ou esquerda? sim ou não? falar ou calar? crer no poder da reversão? sou um otimista irrecuperável e continuarei acreditando sempre na verdade absoluta do sentimento... sempre, sempre... e para sempre continuarei com a certeza que a diferença entre a sanidade e a insanidade é um pequeno, um tênue fio divisor...
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