domingo, 26 de dezembro de 2010

como seria simples...

... ah, como seria tão simples se não me tivesses enfeitiçado, se não tivesses te apoderado de minh'alma a este ponto, a este ponto de eu estar aqui agora achando que já é inverno, em pleno dezembro... não há mais jeito, apenas um barulho imenso dentro em mim, apenas um barulho imenso de todas as palavras que disseste, este barulho intenso de tuas palavras todas a farfalhar... cri profundamente em nunca mais precisar mudar depois daquele dia quando te vi... agora chegou o inverno, mas não quero mais me proteger...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

fantástico...

... e então o pequeno, ao telefone, disse: pai, olha só, já sei assobiar... e assobiou para eu 'ver'... segurei o choro... não há como não se emocionar com a conquista dos filhos, com a certeza dele de ter conseguido uma façanha... nosso sangue segue...

sábado, 4 de dezembro de 2010

tristeza

uma tristeza infinita ficou do teu adeus...

sábado, 20 de novembro de 2010

morri...

hoje faz uma semana que morri... e eu não queria isto... lutei muito, lutei tanto para não acontecer, mas... morri... tentei tanto para que tudo estivesse normal como desde sempre, para que tudo seguisse como já havia sido prenunciado, como tudo se encaminhava para seguir do melhor jeito possível até o fim dos tempos, até muito depois do fim de todos os tempos, até para quando nem mais o pó do pó do pó dos nossos descendentes houvesse... e ainda assim terias meu ser por completo... mas, algo saiu de viés e acabou... agora morri completamente por dentro... não há mais razão... não há mais... e agora? e agora?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

por quê?

intensamente esquecido, absolutamente esquecido... séculos depois da primeira vez que te vi, absurdamente séculos e séculos depois que te vi, tua imagem é a mesma no vidro de meus olhos, tua aura a me pegar para sempre... me cativaste tanto que preso estou até depois do fim de qualquer tempo... teu sorriso sempre de teu tamanho todo... tuas palavras, maiores que meus pensamentos... desde então sou teu... por que então agora isto? por quê?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

o pouco que basta...

para tanto basta o tom de voz, para tanto basta o som que é emitido por aqueles a quem a gente ama... simples, simples mesmo, isto faz com que fiquemos confiantes, faz com que evoluamos... ao ouvir, apenas ouvir palavras dos que amamos, identificamos aquele envolvimento absoluto, aquele comprometimento que existe entre um e outro sem que nada seja cobrado... quando se ama e quando se é amado muitos problemas deixam de ser problemas (pelo menos na intensidade que teriam) e a gente consegue progredir e seguir e viver e ser feliz e... como é fácil, como é fácil transcorrer o tempo e ficarmos de bem com a vida... basta, para isso, pouca palavra, um som, um sorriso...

sábado, 28 de agosto de 2010

ser esquecido...

quando percebi então já era tarde... já não havia volta... tudo escuro, barro, sangue... fim... sangue quente escorrendo, luz da lua, carne cortada... silêncio absoluto... e, para escárnio, a via láctea absoluta no céu de agosto... o peito aos poucos mermando, a visão mermando também... o pensamento a voar perseguindo o que antes deveria ter sido feito... emboscar é fácil, defender não... emboscar é trair... e o coração parando enquanto os sonhos se vão... o coração, que explodia de amor, agora é inerte... o coração, que meu mais não era, agora se foi... ser esquecido é morrer...

domingo, 8 de agosto de 2010

a noite

pequeno barulho na gigante noite, pequeno farfalhar de folhas ao vento, ruído, ruído seco de passos, o desconhecido, o que não se consegue ver a acelerar o ritmo cardíaco... íris aberta, ouvido atento... o que vem que não enxergo? o que vem que me desestabiliza? ao não ter o controle da situação nossa mente reage de maneira não usual e então suamos frio... mas tudo há que ser enfrentado, para tudo há maneira, para tudo há solução... pé no chão, mente aberta, alerta absoluto e então o retorno à normalidade... ante o desconhecido, reação imediata... para poder seguir firme e altivo...

domingo, 1 de agosto de 2010

teu

quero tanto que tudo esteja normal... quero tanto que tudo esteja como antes, como quando estive contigo, como quando sempre estive contigo, como quando desde sempre estive contigo, desde antes de te conhecer... sempre estive contigo, mesmo antes de eu ter te visto... sempre, sempre... te vi e o que não era tu não era nada... te vi e então bastou... te vi e passei a te pertencer, antes de te conhecer... depois, quando te soube, mais teu fui... quando ouvi tua melodia meus ouvidos moucos não mais foram... teu sou... teu... para sempre...

terça-feira, 20 de julho de 2010

impossibilidade

ainda não entendi como é que se faz quando não há possibilidade de que algo aconteça exatamente como se quer, como se planeja, como se deseja... preciso fazer com que algo que aconteceu, esta é a questão, seja encarado com importância diferente daquela com a qual está sendo encarada... como mudar algo que passou? mesmo que o fato não estabeleça vida ou morte, direita ou esquerda, subir ou descer, como um fato que passou pode ser mudado? alguém sabe?

domingo, 4 de julho de 2010

os que vieram antes...

os dias passando e o mundo girando como sempre... então olhamos ao longe, aonde a vista alcança... coxilhas, horizonte, caminhos a percorrer... estrada, história, muita história à vista... como esquecer que aqui nossos antepassados marcaram o território de são pedro? como esquecer que nestes pagos todos eles nos fizeram pátria? como esquecer que lutaram por um ideal, de pátria livre (e aqui, livre de impostos e outros quetais?), de terra nossa, de terra sem arbítrios?... quando vejo as coxilhas ao longe eu louvo o que eles fizeram...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

sentimento

e seguir então achando que sempre conseguiremos... simplesmente seguir tentando e indo em frente e crendo que tudo dará certo, crendo e crendo e crendo tanto até chegar ao ponto de duvidar de tanto crer... por vezes estamos à beira de cair, talvez cair para sempre, desmoronar, desencarnar, como se à forca estivéssemos e só faltasse a abertura do cadafalso e, então, seguir crendo que tudo se ajeitará novamente e que tudo não passa de um sonho ruim, que tudo não passa de algo que só acontece com 'os outros', jamais conosco... me pergunto quanto amor há em tudo isto e só consigo entender que é infinito, que é maior, muito maior que o que eu sei que é, mais do que eu penso realmente ser... quanto mais difícil é o caminho que percorro mais creio na essência de mim mesmo e na transparência do que sinto e mostro...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

telurismo

todos temos algo para o qual damos mais importância do que a importância que damos para outra coisa... aliás, temos várias coisas preferidas... sendo absolutamente sincero, todas as coisas pelas quais podemos optar são as nossas preferidas... claro, nem sempre conseguiremos o que preferiríamos... mas aí já é outra questão, para a qual precisaria de um espaço maior do que este que comumente uso... estou de volta à querência, a querência para a qual dou valor imenso... e comprovei isto ontem, quando, ao vir para o serviço, o pneu do carro furou em uma estrada enlameada, garoando, em meio ao nada, entre coxilhas... minha reação foi absolutamente simples: desci do carro e fiquei olhando ao longe o horizonte, aquelas coxilhas e coxilhas e coxilhas... silêncio quase absoluto, um pequeno vento a barulhar... e eu absolutamente feliz por tudo que me rodeava... apenas para comprovar que sou absolutamente telúrico...

domingo, 16 de maio de 2010

na querência...

o cheiro é farto e intenso... o cheiro de pasto e pampa na narina... o cheiro todo que me invade é o cheiro que está na memória deste antanhos... o cheiro que me invade é o meu cheiro... meu cheiro por ser o cheiro que elegi... meu cheiro por ser o cheiro que me faz gente... cheiro que me faz parte de uma coisa maior, muito maior, muito mais que os que não conhecem podem pensar... ah, a vontade de acordar com a certeza de fazer parte da cultura que viceja... de volta à querência... de volta ao meu povo... melhor, só a família, a esposa e os filhos que levam por diante tudo que leguei...

sábado, 8 de maio de 2010

longe... perto...

às vezes o que está longe, perto está... e vice-versa... não esmorecer, não fraquejar, seguir peleando, ter certeza de voltar a respirar a querência novamente... voltar a respirar a querência, desejo tão pequeno e que pode ser o mote de um novo alento na vida... aliás, de um grande alento... é o que tem ocupado meus pensamentos ultimamente, quase que unicamente... para quem está longe (fisicamente) é fundamental visualizar o retorno... estou sentindo o cheiro já...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

a batalha

atacávamos pelos flancos, em ondas, em cargas rápidas e breves... e voltávamos deixando-os desnorteados... deixávamos que pensassem em se recuperar e atacávamos novamente, da mesma forma, pelos flancos, rapidamente, breves estocadas dilacerando aqueles outros, que não éramos nós, aqueles que se opunham ao nosso avanço, aqueles que não entendiam quem éramos nós... então, depois do território conquistado, seguíamos adiante para os próximos territórios a conquistar... no meio de cada batalha havia o que era mais importante então... a festa, o regozijo pela conquista, o deleite por tamanha coesão e eficiência... sempre foi a melhor parte esta na qual nos felicitávamos e reconhecíamos estar fazendo a coisa bem feita, da melhor maneira possível... tanto que éramos invencíveis... e conquistamos tudo o que buscamos... a vastidão da pampa toda nossa... a vastidão da pampa para sempre... no peito, o coração a exultar, um grande alento depois de cada batalha... sem jamais esquecer de participar da festa, aonde se colhem os louros pela conquista... a parte principal está entre cada batalha...

domingo, 4 de abril de 2010

na retina...

foi em um domingo de sol, há muito tempo, que te vi por vez primeira, em meio à multidão... e quando te vi, exatamente naquele instante, a multidão desapareceu e ficaste para todo o sempre em minha retina, no vidro de meus olhos... eras tu e uma grande luz ao teu redor... e tu eras pura luz a invadir meu ser, te tornando presença indivisível, transformando minha vida para todos os séculos dos séculos... um dia eu serei pó e ainda assim continuarei contigo por meio de nossas sequências, através do que fizemos... sei, desde então, o que a palavra imprescindível significa... e tudo isto é um grande alento em minh'alma...

quarta-feira, 31 de março de 2010

caminhar

uma das boas coisas que se faz é caminhar... enquanto caminhamos (neste caso, preferentemente só) vamos pensando e imaginando e refazendo planos e revendo coisas feitas e acertando o que está errado e afirmando que não faremos de tal jeito novamente... e que não faremos mais... e que faremos certo, de outro modo, do modo que possa mudar o que ficou errado... mas o que está feito, feito está... nem a mais profunda teoria da relatividade de einstein consegue mudar o que o passado guarda... e seguiremos fazendo tudo e tudo e tudo novamente do mesmo modo que sempre fizemos... e acertando... errando... e nunca conseguindo mudar o que se foi... às vezes isto se transforma em grande dor, faca pungente no peito, angústia que dilacera... fantasmas, fantasmas que ficam conosco a caminhar...

sexta-feira, 12 de março de 2010

período

reflexões, reflexões... por um período fiquei sem postar nada aqui por uma causa simples: estive tentando assimilar uma mudança que ocorreu comigo (mudança de endereço) e que não era o que eu estava esperando... estou, há 8 meses e pouco, trabalhando no interior de minas, bem no interior mesmo, por isto o 'nomeiodomato'... e, no final de fevereiro, fiquei sabendo que seria transferido para outra obra... para o sul (lugar que eu prezo por identificação irrestrita com a maneira da vida de um modo geral)... exultei!!! bingo, quem sabe de volta à querência! qual o quê! houve mudança de rumo e fui transferido... para outro interior do interior de minas (alguns novos costumes que relatarei)... só que agora um lugar que não é, realmente, aprazível... bueno, por isto o período sem postagens por aqui... mas tudo se encaixará novamente no tranco da carreta... no final as abóboras se acomodam...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

desde antanhos

se estamos caminhando sem rumo, sem propósito que não seja o de apenas caminhar, podemos ir para qualquer lado quando deparamos com uma encruzilhada... podemos até retornar... muitas vezes fazemos alguma coisa que só mais tarde temos a certeza de que não deveríamos ter feito... ou vice-versa... mas, para tudo o quanto fazemos não há retorno... coisa feita, feita está... às vezes levaremos muito tempo para perceber que o que fizemos foi absolutamente fantástico... parecem triviais ao fazermos, coisas do dia-a-dia, mas que lá adiante (anos, algumas vezes décadas depois) constataremos como uma coisa essencial na própria vida... e então nos quedamos repletos de alegria por ver que a vida se repete e se repete e se repete infinitamente... e que continuaremos, naqueles que nos sucedem, como acontece desde antanhos...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

reserva natural

fiz uma pequena viagem, semana passada, do meio do mato para... outro meio do mato, aonde ainda estou e ficarei por uns dias... trajeto curto, de 235 quilômetros, que tem uma reserva natural protegida em uma parte do percurso... lugar absolutamente lindo, quase selvagem, chão batido por 24 quilômetros e um rio de águas translúcidas, cipós... absolutamente diferente do dia-a-dia de quase todos... e logo que se passa por esta reserva tem-se o desprazer de percorrer 10 quilômetros de 'asfalto' no qual a única coisa que praticamente não tem é asfalto... são buracos e buracos e buracos... e eu estava ouvindo ao rádio, naquele momento, propaganda do governo estadual cantando loas à recuperação das estradas... ri bastante... mas o importante foi a reserva natural, realmente protegida (ou pelo menos respeitada), que estará na memória... tenho estado no meio do mato nos últimos 8 meses e, ali, eu estava realmente no meio do mato, sem sinal algum de civilização...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

pica-fumo

tuparehe foi o nome que eu dei a um cavalo que eu tive, há muito tempo... era um malacara, tostado requeimado, bom de patas uma barbaridade... muita carne comi pelas patas do meu tostado, em festanças sem fim que reuniam os que gostavam de cavalos... tuparehe fazia com que quase todos que o montavam 'plantassem figueira', mas comigo nunca aconteceu... e por um pequeno detalhe... quando eu fui montá-lo por vez primeira, dei-lhe um joelhaço no vazio (mas isto já é outra história)... no meu tostado, bem pilchado, em longas cavalgadas, sempre me senti senhor da pampa vasta... tudo isto ficou na lembrança... agora aqui, aonde estou, há muitos cavalos... só que todos 'pica-fumo'... e o povoeiro daqui anda sem pelego, direto na sela americana (sequer conhecem o basto 'castiano'), sem relho, mango ou pequena tala... usam uma vara... olho, olho e não entendo como podem ser tão diferentes os costumes... mas quanto mais vejo mais me orgulho do tostado que tive...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

séculos

ah, se eu soubesse que este turbilhão de séculos e séculos dentro em meu peito seria desta maneira, talvez não tivesse feito um pequeno gesto que fiz ano passado... um simples gesto que me remeteu para onde estou agora... solidão machuca... eu já tinha ouvido isto mas não tinha sentido... e machuca muito... as amizades ficaram na pampa larga, na farta pampa das minhas memórias... minha luz também ficou, e esta é a parte mais doída desta distância toda... sei que tudo isto é absolutamente necessário por uma situação ímpar que foi criada, mas estou mermando aos poucos... estou mermando aos poucos... equilíbrio, tenho que encontrá-lo... razão, tenho que mantê-la...

sábado, 30 de janeiro de 2010

jornada

caminhei por entre meus pensamentos mais antigos e fui encontrando tanta coisa guardada que eu não lembrava mais... caminhei por entre minhas projeções para o depois de hoje, para todas as coisas que busco fazer acontecer e vejo que tudo é possível... ao menos no pensamento... pode-se, inclusive, alterar o que se fez ou o que não se fez no passado e contemplar um quadro completamente diferente da realidade... pensar nos mantém vivos... e lembrar nos prende e nos liberta ao mesmo tempo... tantas vezes me encontro ao largo da trilha que gostaria de estar traçando, pés no chão, cheiro dos meus junto a mim que chego a fraquejar... há percalços, há tanto o que transpor que não posso me deixar cair... preciso manter a lucidez nesta jornada fatigante... para voltar à luz, para voltar a quem me faz acreditar no mais profundo dos sentimentos...

sábado, 23 de janeiro de 2010

fórmula...

quando o final de semana chega é tempo de absoluto descanso, como já comentei... dia desses descobri outro pássaro que jamais havia visto... ele é um pouco menor do que um pardal (em todos os sentidos), é preto com pequenas manchas brancas, e tem uma peculiaridade incrível... ele fica empoleirado em um fio ou galho e fica dando saltos pra cima e voltando para o mesmo lugar a cada 7 ou 8 segundos, mais ou menos... ao pular emite um pequeno trinado... pensei que estivesse caçando insetos e fiquei observando... nada, apenas pula e volta... e pula e volta... bueno, mas não era disto que eu queria falar... queria apenas saber como alguém que está a 292 léguas de distância de sua querência faz para acalmar o turbilhão de saudades que teima em galopar dentro ao peito... a fórmula, alguém sabe a fórmula?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

saudade... de mim

pés descalços... bergamota no pé... o bodoque no bolso da 'calça curta'... o 'borboquê'... o jogo de bolita (jogo de boco)... o carrinho de rolimã... o futebol no meio da rua... a alegria permanente de quem não tinha preocupação além de curtir as férias duas vezes por ano... os amigos, os parentes, as brincadeiras constantes... andar de bicicleta pela cidade... tirar ventil de pneu... apertar campainha e correr... sentar à soleira da porta e ver aquele esbranquiçado intenso da via láctea... esperar os meteoritos caírem para tentar fazer um pedido... ah, intensos e idos anos, por que já estais tão longe? o que faço eu agora que tudo isto faz com que eu não me reconheça mais? aonde a imensidão da pampa? aonde a paz das planuras? saudade... saudade intensa de mim...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

experiência

desde que cheguei aqui aonde estou (no meio do mato) ontem aconteceu uma coisa por vez primeira... não tenho rádio, os livros que eu trouxe eu já os li e reli e, desde ontem, estou sem televisão, este pequeno aparelho que tanto nos prende em frente a ele... pois bem, à noite, pensei como resolver o hiato entre chegar em casa e a hora em que eu comumente deito... poderia ter aberto um bom vinho (se aqui houvesse) e ido olhar as estrelas... fui olhar as estrelas neste lugar quase sem luz e fiquei absorto por muito, muito tempo... silêncio quase absoluto e uma leve impressão de ouvir o som do universo em profusão... 'ouvir estrelas, ora direis?'... pois foi a sensação que tive no tempo todo em que fiquei vidrado, cabeça olhando para a via láctea, para as plêiades, para a ursa (menor ou maior, qual seria?), para alfa de centauro... e uma certeza: foi muito bom ter ficado sem tv...

sábado, 9 de janeiro de 2010

lonjuras

tramelas abertas o tempo inteiro para que todos se aproximem... este é o meu rancho, minha morada que está tapera, este é meu coração, meu pensamento... planuras, montanhas, curvas e rios... devagar, devagar eu sigo pra que não se despegue de mim teu cheiro, teu hálito que eu trouxe desde longe, teu sorriso franco de dentes tantos... o mormaço castiga, o suor aflora, a vista embaça... meus pés estão macios de caminhar-te tanto... e ainda me prendem aqui estas incontáveis lonjuras... mas meu coração e meu pensamento permanecem contigo... para isto não existem lonjuras...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

fio divisor

o pensamento é impressionante... pode nos fazer voar para qualquer lugar em uma fração de segundo... nos leva a tudo o que passou e nos leva ao que ainda não aconteceu... pensamos praticamente o tempo inteiro, pensamos o próprio tempo, pensamos no que passou e não podemos mudar e pensamos sobre o que queremos que aconteça... e tentamos, e tentamos... quando estamos em desafinação com o universo que nos cerca (energia que somos) a coisa se torna áspera, algumas vezes quase insustentável... direita ou esquerda? sim ou não? falar ou calar? crer no poder da reversão? sou um otimista irrecuperável e continuarei acreditando sempre na verdade absoluta do sentimento... sempre, sempre... e para sempre continuarei com a certeza que a diferença entre a sanidade e a insanidade é um pequeno, um tênue fio divisor...